Coimbra

Um “Elétrico” chamado José Raúl

Susana Brás | 18 horas atrás em 03-04-2025

José Raúl, conhecido carinhosamente por “Elétrico”, é uma figura amplamente admirada em Coimbra, especialmente pela dedicação e postura enquanto sinaleiro de trânsito ao longo dos anos.

O NDC esteve à conversa, na tarde desta quinta-feira, 3 de abril, com o polícia reformado.

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Ao longo da sua carreira, tornou-se um verdadeiro ícone da cidade de Coimbra, reconhecido pela sua forma única de comunicar com os condutores e pela autoridade amigável com que regulava o trânsito.

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Durante 25 anos, foi agente da PSP na cidade dos estudantes, deixando uma marca inesquecível na comunidade. No Largo da Portagem, na atual Rotunda da Cindazunda ou na Casa do Sal era possível ver os seus gestos “frenéticos” que ficaram marcados na memória dos conimbricenses.

“Onde estava de serviço, não havia trânsito”, confessou, reconhecendo que a zona da Casa do Sal continua a ser uma das zonas mais problemáticas.

Ainda hoje são muitos os que buzinam ou que acenam para cumprimentar José Raúl, manifestando o seu apreço. “Isto é sempre assim”, diz com orgulho.

“Elétrico” queria ser “bailarino, árbitro de futebol ou polícia”, mas acabou por ingressar na PSP em 1971. Até cumprir o serviço militar, começou “com 14 anos a trabalhar na extração de pedra, numa pedreira de onde saiu aos 18 anos”, confidenciou.

Entre os momentos mais emblemáticos da sua carreira, destaca-se a participação no corpo de segurança durante a visita do Papa João Paulo II a Coimbra.

Outro episódio marcante ocorreu a 21 de abril de 1989, quando esteve na linha da frente da manifestação no Terreiro do Paço, em Lisboa, onde cerca de 5000 polícias protestaram por melhores condições de trabalho e pela liberdade sindical. Este evento ficou conhecido como o episódio dos “secos e molhados”.

“Alguns colegas quiseram desmobilizar-se, mas eu agarrei nos braços deles e disse que não quebrávamos”, recordou, afirmando que “hoje fazia tudo na mesma”.

Além disso, José Raúl apazigou os ânimos no jogo Benfica–FC Porto, realizado a 18 de agosto de 1994, no Estádio Municipal de Coimbra, numa tensa partida da Supertaça. O polícia empunhou a arma e o gesto acabou, eventualmente, por evitar males maiores.

O cortejo da Queima das Fitas também é recordado pelo sinaleiro, referindo a amizade que os estudantes tinham por ele. E para mostrar isso mesmo, as fotografias no seu álbum de memórias não deixam mentir.

Com uma carreira repleta de momentos memoráveis, “Elétrico” continua a ser uma referência de dedicação, carisma e respeito na cidade. “Fui muito bem recebido em Coimbra”, diz.

Durante a sua carreira, esteve alguns anos destacado em Lisboa e Torres Vedras, mas a maior parte do tempo de serviço – 25 anos – foi contabilizado em Coimbra, cidade que (o) adotou.

Reformou-se em 2005, mas em Coimbra ainda todos se lembram da forma rapidíssima como fazia escoar o trânsito.

Foi distinguido em 1996 com o prémio de “Polícia do Ano” e reformou-se em 2005, mas ainda todos se lembram da forma rapidíssima como fazia escoar o trânsito. Ao nosso jornal recordou como orientava os automobilistas.

No final do ano passado, foi submetido a uma intervenção cirúrgica para a implantação de um pacemaker cardíaco, mas nem isso o assustou, como disse ao NDC.

Atualmente reside em Vilela, mantém uma “alimentação saudável” e faz diariamente uma caminhada de 10 quilómetros “para manter a forma”. 

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