As primeiras compras que fiz na internet, em 1997, época em que o comércio eletrónico ainda não tinha conceito, foram umas t-shirts. A primeira era im dragão verde, que le levou aos Urais, a outra um ornado pirete e a que aqui me importa dos X-Files, cujo título encima esta prédica e, simpaticamente diz-nos que a verdade ainda aí fora é só procurar. E não há contradições, só o que não conhecemos. Por exemplo onde esconderam o capítulo sobre as ameaças extremistas que deveria estar no Relatório Anual de Segurança Interna (RASI)?
Talvez a justificação esteja naquela reunião de autarcas, em Coimbra, quando o especialista comunicacional nos informou que “As pessoas votam em valores e identidade, não em racionalidades. As eleições são ganhas por emoções”. Poderoso. Haja histórias, contadores, folclore, campanha com os meios do Estado na certeza, dizem os finórios que assim querem pensar, quem contar a melhor história, ganha. Ou a mentira perfeita que isto é país que não ouve o povo e vende imensa banha da cobra.
Estando a verdade lá fora, e ouvimos isto com espanto sem lhe tomar pulso ao perigo, apelidam o escrutínio de “flagrante e inconcebível campanha de desinformação e manipulação de factos, a que aderem inexplicável e levianamente muitos intervenientes políticos e mediáticos”.
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Não pode ser, não são as infrações que chateiam, é a falta de transparência destes videirinhos e que nos explicam como é a política.
Aliás, Poiares Maduro, insuspeito, veio pedir uma “abordagem mais humilde”. E já temem as fardas, do almirante.
Portanto somos uns abusadores da liberdade de expressão e do direito a escrutinar quem serve o país, e nos serve a nós.
É esta excessiva resistência ao escrutínio que afasta eleitores e qualquer facto, gera antagonismo, a verdade, e os eleitores escapam-se.
Vejam o que foi há um ano e o que disse agora o moço de recados que admitiu que os social-democratas podem não viabilizar o orçamento do próximo governo.
Portanto, isto não é uma República, é modo de vida. Ou como diria a Dana Scully ao Fox Mulder, “nothing happens in contradiction to nature, only in contradiction to what we know of it”. Perceções. Fica tudo dito.
OPINIÃO | AMADEU ARAÚJO – JORNALISTA
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