O último livro do jornalista Casimiro Simões vai ser apresentado na Lousã, no dia 26 de outubro, pelo escritor e advogado António Arnaut, numa sessão em que também intervirá o historiador Carvalho Homem.
Intitulado “Cornos ao sol – Agonia do carneiro velho na troika de Vale Tudo”, o livro encerra uma trilogia satírica que o autor iniciou em 2009 e constitui uma homenagem ao Ramal da Lousã (encerrado há quatro anos para obras que foram suspensas pouco depois), à República dos Kágados (onde o jornalista viveu, enquanto estudante da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra) e ao Museu da República e da Maçonaria (espaço cultural de iniciativa privada, inaugurado no ano passado, em Pedrógão Grande).
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A apresentação realiza-se na sede da Sociedade Filarmónica Lousanense, uma das mais antigas coletividades do concelho onde nasceu e reside Casimiro Simões, no próximo dia 26, sábado, às 15:00.
Com esta obra, o profissional da Agência Lusa e antigo diretor do jornal Trevim termina a trilogia satírica republicana encetada há quatro anos, com o seu livro de estreia “Com as botas do meu pai”.
“Uma ousadia literária que me acarretou então alguns dissabores, pessoais e profissionais, desencadeados por inimagináveis preconceitos retrógrados de terceiros e perseguição ilegítima por razões ideológicas”, afirma.
Casimiro Simões recorda que a sátira “Com as botas do meu pai” constituiu “uma aventura pela cidadania, corrida contra ventos adversos, poderes mesquinhos, medos vários e cobardias”, a qual lhe proporcionou, sobretudo, “momentos de especial bom humor e fraternidade”.
O autor espera ainda a presença de amigos de longa data, como o acupuntor Pedro Choy, com quem residiu na República dos Kágados, na Alta de Coimbra, há quase 30 anos.
O livro é dedicado a figuras que “marcaram a sociedade portuguesa, em prol da República, do progresso coletivo, da cultura e dos direitos humanos”: Orlando de Carvalho (intelectual antifascista, catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra); Augusto Monteiro Valente (major-general do Exército, militar de Abril e investigador, falecido em 2012); Osvaldo Duarte Rosa (opositor à ditadura, autarca e dirigente associativo na Lousã), Ti Joaquina da Catraia (notabilizou-se no auxílio aos viajantes que outrora atravessavam a serra da Lousã); Maria Fantina (tem-se destacado na preservação das tradições locais da região), Augusto Paulo (fundador e antigo diretor do jornal Mirante, de Miranda do Corvo), Artur Brás (um dos fundadores do Ateneu de Coimbra, em 1940) e João Rodrigues (democrata, músico e cronista do jornal Trevim).
O jornalista presta ainda homenagem ao Ramal da Lousã (com evocação póstuma de José Vitorino de Sousa, que foi porta-voz da Comissão de Utentes do Ramal da Lousã, e dos ferroviários Ramiro Carvalheira e Américo Leal, dirigente sindical), à República dos Kágados (a mais antiga de Coimbra, que completa 80 anos no próximo 1º de Dezembro) e ao Museu da República e da Maçonaria (a funcionar em Troviscais, Pedrógão Grande).
“Hoje, quando a Pátria e a democracia esbracejam, ainda mais, no volátil garrote transnacional, vulgo mercados, Vale Tudo é uma terra deserta, sem homens, nem mulheres. Apenas animais de quatro patas!”, lê-se na contracapa do livro.
Neste “renovado olhar crítico sobre a República e o mundo”, sob o signo do carneiro, o autor regressa aos mistérios da infância e apresenta aos leitores um “curral triangular, na loja térrea do honrado Joaquim Lua”.
Ali mesmo, “onde o mato com bostas várias se fazia riqueza nacional”, um burro, um porco e um carneiro “depressa se tornaram mais humanos que os homens e mulheres da heroica vila de Vale Tudo, agora sem ninguém”.
Como nos dois primeiros volumes da coleção, o gráfico lousanense Carlos Alvarinhas produziu a capa e as ilustrações.
Casimiro Simões encerra agora a sua trilogia satírica com “Cornos ao sol – Agonia do carneiro velho na troika de Vale Tudo”, depois de “Com as botas do meu pai – Pegadas do poder autárquico na vila de Vale Tudo” (2009) e “Campanha bufa – Porco no espeto na safra de Vale Tudo” (2010).
Uma coleção concebida pelo autor para celebrar os 100 anos da implantação da República em Portugal.
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