Economia

Do balde e vassoura a excêntrica. Más línguas dizem que Amélia estoirou fortuna

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 28-02-2025

Imagem: Facebook

Amélia de Jesus viu a sua vida dar uma reviravolta drástica ao arrecadar um prémio milionário no Euromilhões. De empregada de limpezas, tornou-se multimilionária ao ganhar 51,6 milhões de euros. Mas nem toda a fortuna foi suficiente para apagar as marcas de um passado de dificuldades e lutas.

Natural de Marco de Canaveses, Amélia casou-se aos 16 anos e ficou viúva aos 23, criando sozinha dois filhos. Mudou-se para a Póvoa de Varzim, onde trabalhou nas limpezas para sustentar a família. A vida, porém, guardava-lhe um destino inesperado.

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Com a fortuna garantida, a nova vida foi marcada por excentricidades e luxos. Comprou casas, carros de alto gabarito como um Porsche, um Aston Martin e um Jaguar. Até pensou em comprar um Bugatti semelhante ao de Cristiano Ronaldo, mas desistiu por ser demasiado pequena para o banco do carro.

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Gastou 30 mil euros num bypass gástrico que a ajudou a perder 36 quilos e proporcionou uma vida de luxo à sua mãe, uma antiga peixeira, vestindo-a com roupas fidalgas e garantindo-lhe conforto nos últimos anos de vida. “Vestia-a e calcei-a. Dei-lhe tudo o que ela merecia”, recorda.

A mais recente excentricidade da euromilionária foi a compra de um caixão de pau-santo da Amazónia, avaliado em 200 mil euros. “Quero garantir que vai durar milhões de anos”, disse Amélia, que deseja repousar na capela onde estão os restos mortais da sua mãe e do primeiro marido. Até adquiriu um caixão semelhante para a mãe, que visita diariamente no cemitério de Ariz.

Apesar da riqueza, a vida de Amélia não ficou livre de problemas. Enfrentou uma batalha judicial com o empreiteiro com quem casou após ficar milionária, garantindo para si a maior parte do prémio e dando-lhe apenas 16 milhões. Também está em tribunal com uma vizinha, que a terá agredido com paus de vassoura, deixando-a debilitada. “Ou vai ela presa ou vou eu”, desabafa, garantindo que a agressão lhe tirou a mobilidade e afetou gravemente a sua saúde psicológica.

Contudo, nos últimos anos, têm-se multiplicado rumores sobre a falência da euromilionária. Dizem que estourou tudo, mas Amélia ri-se e garante que tem “notas escondidas em casas velhas, bem longe da aldeia”. Continua a jogar no Euromilhões e recentemente mostrou nas redes sociais um novo prémio de 600 euros, embora tenha gasto 1.600 em apostas.

A euromilionária que já festejou um casamento aberto a toda a aldeia, que comprou um caixão digno de reis e que viu a vida transformar-se num conto de fadas moderno, tem agora um desejo bem simples: descansar ao lado da sua “mãezinha”, num esquife que lhe garanta a eternidade. “Era mais feliz com tostões do que com milhões”, desabafa. Mas ninguém lhe tira o gosto de ter vivido a vida como quis.

O escritor Luís Osório dedica-lhe um ‘Postal do Dia’: “Amélia de Jesus não é a mulher mais popular do mundo. Ela dirá que é tudo inveja, mas o povo proclamará o contrário, que o dinheiro lhe subiu à cabeça, que é doida e excêntrica. Sem a conhecer acho-lhe graça. E invejo-a na mesma proporção. Ganhou 51 milhões de euros no Euromilhões e jurou a si própria que agora era a sua vez de brincar.”

Continua: “Já chegava de sofrimento. Já chegava de fazer trabalho de empregada de limpeza na Póvoa de Varzim, para onde foi viver após a morte do marido, tinha apenas vinte e três anos e dois filhos para cuidar. Levantou o cheque há uns dez anos e não levou muitos dias a dar corda aos seus desejos. Comprou casas, carros e a roupa que finalmente podia usar, roupa de ricos, perfume de ricos, comida de ricos, hotel de ricos, ouro, mirra e o que havia de melhor”, pode ler-se na Flash.

E termina: “O povo diz que estoirou tudo, que a massa se evaporou. Inveja certamente. Como a minha. Que todas as semanas faço duas apostas para ver se consigo investir num assim, vindo da mais bela selva, benzido com os melhores fluídos, um bilhete para a eternidade.  A Amélia é que a sabe toda. Ri-se com prazer quando lhe dizem que estoirou tudo, que gastou até ao último cêntimo os 51 milhões. Que o caixão foi o seu último cartucho. Ri-se com prazer e responde que tem notas um pouco por todo o lado, mas mesmo que não as tivesse gastou do bom e do melhor, que comeu do bom e do melhor, que andou em grandes carros e que descansará num caixão mais espaçoso e cómodo que o nosso.”

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