Política

Bloco de Esquerda pede campanha focada em propostas e não em cenários pós-eleitorais

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 04-04-2025

 A coordenadora do BE pediu hoje que os partidos de esquerda façam uma campanha focada em propostas e não em “cenários ou mundos hipotéticos futuros”, após o porta-voz do Livre ter desafiado o PS a captar o eleitorado do centro.

Mariana Mortágua esteve esta tarde reunida na sede nacional do BE, em Lisboa, com vários voluntários para a campanha eleitoral que, em duas mesas, iam preparando ‘kits’ com sacos de pano, ‘pins’, autocolantes e folhetos com o ‘slogan’ “mudar de vida”.

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Em declarações aos jornalistas, Mariana Mortágua afirmou que o BE quer “uma campanha para falar com as pessoas, sobre a vida das pessoas, menos sobre cenários, sobre sondagens, sobre mundos hipotéticos futuros e mais sobre a vida” dos portugueses.

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“É também por isso que estamos a organizar uma campanha de forma diferente, com porta a porta, com conversas com as pessoas. Queremos ouvir quem em Portugal vive uma vida difícil. Nós queremos responder para que é que serve votar no Bloco e, para isso, nada melhor do que conversar com as pessoas”, disse.

Questionada sobre o repto lançado pelo porta-voz do Livre Rui Tavares, para que o PS procure conquistar votos ao centro, de forma a permitir aos partidos mais à esquerda que conquistem os votos dessa franja eleitoral, Mariana Mortágua considerou que os políticos devem fazer “menos análise política e mais proposta política”.

“Eu quero olhar de frente todas as pessoas que vivem em Portugal e dizer para que é que serve o voto no BE: quero dizer exatamente o que vou fazer para as rendas baixarem, para termos justiça fiscal, tributar as grandes fortunas, investir nos serviços públicos”, enumerou.

Interrogada, contudo, se não a preocupa uma possível fragmentação de votos à esquerda ou a possibilidade de um voto útil no PS, Mariana Mortágua respondeu que, “ao longo dos últimos anos, quem à esquerda votou no PS em nome do voto útil, acabou desiludido”.

“Precisamente porque o PS foi incapaz de baixar o preço das casas, de resolver os problemas do país, de salvar o SNS. É tempo de termos respostas diferentes para os problemas de sempre. Nós temos uma crise da habitação: o BE tem uma proposta que está em vigor em Amesterdão e que está a resultar, para pôr tetos às rendas”, afirmou.

Confrontada, contudo, com o facto de ser necessária uma maioria à esquerda para concretizar essas propostas, Mariana Mortágua referiu que o BE, no dia a seguir às eleições, vai-se “juntar a todos os deputados que queiram taxar as grandes fortunas” ou “que queiram dar descanso a quem trabalha”.

Sobre se o Livre pode ser encarado como um adversário eleitoral para o BE, Mariana Mortágua disse que não se engana nos adversários, frisando que se trata do Chega e do Governo do PSD, “que despreparou o país, aumentou e agravou a crise da habitação”.

“Nós não nos desviamos um segundo, nem nos enganamos, sobre o que é que queremos fazer: as nossas prioridades e os nossos adversários”, disse, reiterando que pretende que a campanha seja sobre propostas concretas porque “é isso que derrota a extrema-direita”.

“Por isso, o meu apelo é: menos cenário, menos hipóteses, menos discursos vazios, mais propostas. Ouvir mais as pessoas, falar para as pessoas”, pediu.

Interrogada assim sobre o que é que diferencia o BE do Livre em termos de propostas, Mariana Mortágua elencou: “Porque é o BE que propõe taxar as grandes fortunas, que propõe subsídios de turno, descanso para quem trabalha por turnos. É por isso”.

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