A Assembleia Municipal de Coimbra aprovou hoje uma recomendação de defesa de Coimbra-B como local para a estação que vai servir a alta velocidade, com abstenção da maioria dos deputados do PS.
A recomendação apresentada pela CDU foi aprovada com os votos favoráveis da CDU, das várias forças que compõem a coligação Juntos Somos Coimbra (PSD, CDS-PP, Nós, Cidadãos!, PPM, Aliança, RiR e Volt), que lidera o município, e do movimento Cidadãos por Coimbra (CpC), tendo tido 20 abstenções do PS e uma do Chega, e ainda um voto contra de outro deputado do PS, Jorge Veloso, presidente da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades.
O documento apresentado pela CDU surge depois de se saber que a única proposta ao troço da alta velocidade entre Oiã e Soure vai contra os pressupostos presentes no caderno de encargos, com a Lusolav, consórcio liderado pela Mota-Engil, a propor a deslocalização da futura estação intermodal de Coimbra-B para Taveiro, fora do centro da cidade, alegando uma poupança de custos de cerca de 500 milhões de euros.
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O documento propõe que o executivo camarário, que já se tinha manifestado contra aquela proposta da Lusolav, “tome todas as medidas ao seu alcance para que se mantenha firme na defesa dos projetos já lançados e em execução” para adaptação de Coimbra-B às necessidades de alta velocidade e a quadruplicação da linha do Norte, “recusando quaisquer alterações”.
O presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, reiterou a posição do município que passa pela exclusão da única proposta apresentada e lançamento de novo concurso com revisão de preço.
“Não aceitaremos mais projetos pequeninos para Coimbra”, disse, considerando que é essencial para a cidade ter a estação que serve a alta velocidade em Coimbra-B, assim como a quadruplicação da linha junto à cidade para melhorar as ligações ferroviárias regionais.
José Manuel Silva defendia que a proposta da CDU fosse aprovada por unanimidade, considerando que não se pode “aceitar que Coimbra seja apoucada no investimento do Governo central”.
Já Jorge Veloso afirmou que a proposta da Lusolav permitia poupar cerca de 500 milhões de euros aos contribuintes, referindo que o consórcio propunha a requalificação de Coimbra-B, com uma passagem superior e remodelação do estacionamento, e estava ainda disposto a reduzir “substancialmente o valor da proposta” caso fosse possível evitar a não quadruplicação da linha do Norte.
O presidente da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades sustentou ainda que a repetição do concurso atrasaria o projeto em cerca de um ano e poria em risco acesso a fundos.
Na resposta, o deputado da CDU João Pinto Ângelo ironizou com os dados apresentados por Jorge Veloso: “Felizmente, há alguém com ligação direta aos planos da Lusolav”.
“Eu não quero acreditar que [esta posição do presidente de junta] seja uma encomenda, mas que parece, parece”, disse o deputado municipal comunista.
Posteriormente, Jorge Veloso disse que a informação que apresentou foi pedida à Infraestruturas de Portugal, que “dá todos os dados sobre a proposta da Lusolav”.
Já o deputado do CpC João Malva disse que o município não deve abrir “o flanco para a Lusolav conduzir o projeto a seu jeito”, criticando que se possam tomar decisões que afetam Coimbra “com base em argumentos economicistas”.
Por outro lado, o líder da bancada socialista, Ferreira da Silva, afirmou que o PS não iria votar “nem a favor nem contra” o documento, face à “brilhante intervenção do presidente da junta, com dados técnicos”.
“O PS é um partido responsável e entende que as coisas não se podem fazer a qualquer preço. Nós temos de saber o preço das coisas. As coisas só são justas se as pudermos pagar”, vincou Ferreira da Silva, sobre um projeto cujo traçado foi ainda definido pelo Governo liderado por António Costa (PS).
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