LÚCIA SANTOS
As eleições de dia 29 de Setembro merecem algumas reflexões da minha parte, mas antes de as partilhar convosco gostaria de começar por dar os parabéns ao PS, o grande vencedor destas eleições. Espero que esteja à altura do poder que o povo lhe conferiu pelo voto.
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Iniciando agora os meus comentários, a minha primeira observação vai para a abstenção, que me preocupou bastante. Cerca de metade dos conimbricenses não votaram e isso deve ser um sinal de alerta. A classe política não pode continuar a ver a abstenção crescer e encolher os ombros como se isso não fosse um claro sinal de perigo para todo o sistema democrático. Contabilizando todo o universo de votantes, o partido vencedor em Coimbra contou apenas com cerca de 17,5% dos votos, colocando o problema da representatividade das eleições. Os partidos precisam de ir ao encontro do alheamento dos eleitores e não agir como se o problema estivesse apenas do lado do eleitorado.
Outro aspecto que merece destaque é a “nacionalização” da campanha eleitoral, que os resultados em Coimbra espelham bem. Com a comunicação social nacional a não cobrir as campanhas locais e com toda a oposição a dizer às pessoas que podiam castigar o governo numas eleições onde este não vai a votos, o PSD e o CDS-PP foram penalizados. E gostava de frisar bem este ponto que para mim é fundamental. Foi a penalização do PSD e do CDS-PP que deu a vitória ao PS, pois na verdade este teve quase 2000 votos a menos que nas últimas autárquicas.
Quanto ao PSD e ao CDS-PP, os grandes derrotados da noite, fica cada vez mais claro que o PSD sem o CDS-PP não ganha e que o CDS-PP sem o PSD tem muita dificuldade em eleger um vereador.
A CDU segue a tendência nacional de reforço em tempo de crise, nada de especial a registar.
De notar apenas que uma das poucas vitórias do BE foi em Coimbra. Não por Coimbra ter vontade de lhe dar peso, mas pela estratégia camaleónica usada. A lista de “independentes”, que de independente tinha muito pouco, conseguiu aproveitar o descontentamento popular relativo aos partidos. Muitos foram os que lhe deram o voto convencidos de que se tratava de um verdadeiro movimento de cidadãos sem ligações a partidos. Alguns já se começaram a aperceber do erro que cometeram ao verem na página oficial da candidatura no facebook um post com o título “CPC aplaude voto útil e de esquerda”, mas a surpresa e indignação de nada lhes vale, já vem tarde.
Para terminar, apraz-me dizer mais algumas coisas sobre o meu partido, o CDS- PP.
Todos nós, os militantes, vamos ter de reflectir sobre os resultados alcançados. As estruturas locais saberão dar ouvidos às vozes daqueles que se esforçaram e lutaram por um resultado melhor e todos aqueles que se empenharam e deram a cara pelo CDS-PP poderão e deverão ser ouvidos nesta reflexão, para que seja feita a sua vontade.
O que o CDS-PP não vai fazer é dar voz a todos os que estiveram de fora a lutar contra o partido, em Coimbra ou em Lisboa, muitas vezes apoiando candidaturas adversárias, e que agora, tal qual abutres, se aproximam. A esses deixo um aviso. Estas eleições foram o início de um ciclo. Depois de muitos anos coligado, onde parte da massa crítica ficou um pouco adormecida, o partido mobilizou-se, cresceu e criou bons grupos em muitas freguesias e o que aconteceu no dia 29 de Setembro não foi mais do que o renascer do CDS-PP, o lançamento de uma semente para o futuro. Com esta base que foi agora criada acredito que dentro de quatro anos o CDS-PP vai ter uma capacidade diferente de se apresentar aos eleitores, com mais força e mais condições de conquistar a confiança dos conimbricenses. Por isso digo hoje e sempre, VIVA COIMBRA!
LÚCIA SANTOS
Presidente da Juventude Popular de Coimbra
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