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Tragédia em V.N. Oliveirinha: Bombeiro sobrevivente acusa Governo de abandono

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 dia atrás em 03-04-2025

Imagem: Júlia / SIC

Seis meses após o incêndio que lhe tirou a noiva e o cunhado, o bombeiro Francisco Cunha denuncia a falta de acompanhamento por parte do Governo.

Numa entrevista ao programa Júlia, da SIC, o sobrevivente lamentou que, apesar de ter recebido apoio psicológico nos dias seguintes à tragédia, esse suporte desapareceu com o tempo.

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Francisco recorda o incêndio de 17 de setembro, em Nelas, que vitimou três bombeiros da corporação de Vila Nova de Oliveirinha, incluindo a sua noiva, Sónia, e o seu cunhado. Apesar da dor da perda, afirma que a ausência de acompanhamento prolongado agrava ainda mais o sofrimento das famílias enlutadas.

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“Isto é tudo muito bonito ao início. Apoio psicológico houve… ao início. Mas hoje, se eu quiser ter, tenho de ir à procura. Tudo o que seja Governo Central desapareceu. Nunca mais me ligaram: ‘Francisco, estás bem? Precisas de alguma coisa?'”, desabafou, visivelmente emocionado.

O bombeiro apela à criação de equipas especializadas para o acompanhamento contínuo dos sobreviventes e das famílias das vítimas. “Não é só o que perdi, pela Sónia. É também pelo que passei. Também vi a minha morte. Também tive de fugir”, relatou.

O cenário do incêndio continua presente na sua memória, com imagens e cheiros que o assombram diariamente. “Os eucaliptos, o fumo. Tudo o que eu vivi vem-me muito à memória. Isto assombra-me a todos os minutos. Nunca me vou esquecer”, confessou.

Francisco alerta que a falta de apoio não é apenas um problema individual, mas afeta todas as famílias que perderam entes queridos naquela tragédia, incluindo os militares da GNR que também morreram. “Somos pessoas… somos humanos, precisamos de ajuda”, frisou, lamentando que, sem o apoio das pessoas próximas, os sobreviventes sejam esquecidos.

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