Saúde

Incontinência urinária. Quando quebrar o tabu é o primeiro passo para recuperar qualidade de vida 

Notícias de Coimbra | 5 horas atrás em 13-03-2025

No âmbito do Dia Mundial da Incontinência Urinária, que se assinala a 14 de março, a Associação Portuguesa para a Incontinência e Disfunção Pélvica (APDPI) alerta para a necessidade de se falar sobre incontinência, para reduzir o estigma associado às doenças do pavimento pélvico.

A incontinência urinária define-se como a perda involuntária de urina. Estas perdas estão frequentemente associadas ao enfraquecimento dos músculos do pavimento pélvico e/ou hiperatividade não controlada da bexiga, dependendo da causa e grupo etário.

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Atualmente, estima-se que afete cerca de 600 mil pessoas em Portugal e acarreta consequências físicas, psicossociais e económicas que impedem a plena participação na sociedade. As mulheres em idade adulta, são um dos grupos mais afetados para disfunção pélvica, estimando-se que 19% sofram de dor pélvica crónica. 

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Esta condição pode ter origens diferentes, tendo sido identificados três tipos diferentes: a incontinência urinária de esfoço, que ocorre quando se dá um aumento abruto na pressão intra-abdominal, como por exemplo, ao tossir ou espirrar, ao dar uma risada, fazer uma flexão ou levantar peso; a incontinência urinária de urgência, que, tal como o nome indica, acontece quando a pessoa tem uma necessidade repentina e inadiável de urinar; e a incontinência urinária mista, que ocorre quando o especialista diagnostica tanto a incontinência urinária de esforço, como a de urgência.

Apesar de afetar um número significativo de indivíduos, de ambos os géneros e de todas as idades, esta condição ainda gera muita vergonha em quem a experiencia e, por isso, apenas 10% dos afetados procuram ajuda médica especializada.

Segundo Joana Oliveira, Presidente da APDPI “A incontinência, seja urinária ou fecal, afeta milhões de pessoas e continua a ser um tema rodeado de tabus. Com a criação da associação queremos reforçar a informação sobre prevenção, diagnóstico e tratamento, promovendo a literacia em saúde junto da população e dos profissionais de saúde. É fundamental que as pessoas saibam que não estão sozinhas e que há tratamentos que podem ajudar a recuperar a sua qualidade de vida.”

A Associação Portuguesa para a Disfunção Pélvica e Incontinência (APDPI) foi criada com o objetivo de ajudar os doentes, mas também de auxiliar os cuidadores informais, que apoiam diariamente as pessoas que vivem com estas condições. 

Apesar da sua recente criação, já foi possível concretizar uma medida importantíssima para quem vive com esta condição: desde janeiro deste ano, estão disponíveis fraldas, cuecas e pensos de incontinência gratuitos, pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), em todos os centros de saúde, para as pessoas que apresentam 60% ou mais de incapacidade e insuficiência económica.

Composta por uma equipa multidisciplinar, a associação sem fins lucrativos procura agora aumentar o número de associados para poder promover e divulgar informação fidedigna sobre a disfunção pélvica e a incontinência, seja urinária ou fecal, bem como promover e fomentar o convívio e partilha de experiências entre os doentes e conta com a ajuda de todos.

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