Portugal

Em 2023 entraram em Portugal mais imigrantes do que portugueses a sair para o estrangeiro

Notícias de Coimbra com Lusa | 5 horas atrás em 26-02-2025

Entre 70 mil e 75 mil portugueses optaram por viver noutro país em 2023, uma emigração que está estabilizada graças às entradas de estrangeiros em Portugal, que totalizaram 328.978 nesse ano, segundo dados oficiais.

A primeira estimativa provisória de emigração portuguesa em 2023 aponta para que tenham emigrado nesse ano entre 70 e 75 mil portugueses, faltando contabilizar os dados sobre França, segundo informação do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, que quinta-feira acolhe a conferência “A obsessão das migrações: porque é que a políticas de imigração e da diversidade estão constantemente em crise?”.

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“Há sinais de estabilização da emigração em Portugal, a qual para ser compensada deverá contar anualmente com uma entrada equivalente de novos imigrantes no país”, lê-se na nota do ISCTE.

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A conferência contará com a presença de Peter Scholten, ex-diretor da maior rede europeia de investigação académica sobre migração, integração e coesão social e incluirá o lançamento do Portal da Emigração Europeia.

Este portal divulgará dados sobre a emigração de todos os países da União Europeia, do Reino Unido, da Suíça, Noruega e Islândia.

Segundo o ISCTE, a França é o país europeu onde vivem mais portugueses (quase 600 mil em 2024) e a Suíça foi, em 2023, o país para onde os portugueses mais emigraram (cerca de 13.000).

Os dados sobre a emigração portuguesa são divulgados anualmente pelo Observatório da Emigração, que recolhe dados sobre a entrada e fixação dos portugueses noutros países.

É esta a metodologia que o Observatório da Emigração está agora a aplicar para medir e caracterizar a emigração de todos os países europeus, criando o primeiro e único portal europeu com essa informação.

Os dados mais recentes sobre as saídas de portugueses – entre 70 e 75 mil portugueses – “permitem descobrir que é falsa a ideia de que a emigração portuguesa é uma das mais elevadas da Europa: a taxa de emigração de Portugal é intermédia”, afirma o sociólogo Rui Pena Pires, coordenador científico do Observatório da Emigração até ao início deste ano.

“Os dados permitem também confirmar que, ao contrário de ideias correntes sobre o assunto, a emigração não é sinónimo de subdesenvolvimento, como demonstram os últimos dados das Nações Unidas. Em regra a taxa de emigração é tanto mais elevada quanto mais elevado é também o índice de desenvolvimento humano (IDH) dos países”, adiantou.

Para Peter Scholten, professor na Universidade Erasmus de Roterdão, Países Baixos, “as políticas migratórias devem ser integradas nas áreas convencionais das políticas públicas setoriais, em vez de serem elas próprias uma política setorial”.

O ex-diretor da IMISCOE, a maior rede académica da Europa de investigação sobre migração, integração e coesão social, defende que não é possível aos governos gerirem a diversidade e a complexidade das migrações com uma política única, específica, centrada numa secretaria de Estado ou num ministério.

Em 2022, cerca de 60.000 portugueses emigraram, com o Reino Unido a perder importância devido ao Brexit e a Suíça a voltar a ser o principal país de destino.

As últimas estimativas das Nações Unidas indicam que 1.799.179 portugueses residiam no estrangeiro em 2024.

Em 2023, segundo os dados mais recentes divulgados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), moravam em Portugal 1.044.606 cidadãos estrangeiros.

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